HORA DA VEZ
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PERICULOSIDADE NA EMAE
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A TORTURA DISFARÇADA DE LIBERDADE
Quando se viaja na contramão todos ao redor conseguem perceber a loucura. Menos o motorista aventureiro, ou melhor, ele finge não ver como se a sua atitude fosse algo natural e de notável superioridade, adere ao atraso fazendo parecer que escolheu o caminho da sabedoria. Muitas chefias e gerências se comportam como o “motorista aventureiro”, na contra-mão de uma gestão moderna que respeita o ser humano. Entendem a si mesmo como o melhor dos líderes, provido de intuição divina, firme e decidido em sua atitude, ignora a tudo e a todos; não se sabe como chegou a enveredar por este caminho, mas certamente encontrou alguma vantagem pessoal nisso. Talvez até prejuízo e não sabe! Quem poderá questioná-lo? Tem o poder e a caneta na mão, não suporta nenhuma sugestão ou opinião, empurra tudo goela abaixo, sua decisão deverá ser acatada como a mais bela das sabedorias. Tal gerenciamento causa aos trabalhadores os mais variados reflexos, desde o sentimento de inferioridade até o esforço sobre-humano para atingir as metas propostas, assim se salva o emprego, valoriza-se o ego e quem sabe não cai um dinheirinho a mais na conta como resultado da entrega total. Sem perceber, o indivíduo termina por vender a dignidade ao jogar por terra sua liberdade de expressão e sua capacidade de discernimento. Submetido a uma rotina cruel que lhe sufoca a criatividade, o novo ser, alienado, já não caminha por si, segue caminhos virtuais inseridos por uma estrutura gerencial que faz pressão sobre o inconsciente. A vítima está doente e pensa que está normal! Não contentes em controlar os músculos, eles querem agora controlar o cérebro do trabalhador! Esses trabalhadores estão cegos, pensam que a organização está cheia de boas intenções e bondade, seus prejuízos nos últimos anos parecem insuficientes para impulsionar a transformação da consciência, o individualismo se acentua como prática comum em detrimento da solidariedade no trabalho. O assédio moral coletivo passou a fazer parte da política de gestão de algumas empresas e as pessoas, infelizmente, passaram a encarar tal postura como normal. Essa condição também se deve ao passado ditatorial por que passou este país onde a tortura era institucionalizada, e a violência (física ou psíquica) fazia parte da cultura brasileira. É imperioso criar coragem para dizer “NÃO”. Denunciar os casos de assédio individual, ou coletivo, resgatar a dignidade comprometida e fazer valer o direito da pessoa humana conforme determina a Constituição Federal (1988), “a Constituição Cidadã.” Não se pode reduzir o número de profissionais a ponto de comprometer a qualidade do atendimento público e renegar a sociedade ao segundo plano com a finalidade de auferir lucros exorbitantes. Sabe-se que muitas pessoas foram e continuam prejudicadas em sua carreira profissional por motivos pessoais e políticos por meio de instrumentos de avaliações subjetivas direcionadas, cuja única finalidade é “permitir” a punição exemplar dos que questionam a “modernidade” instalada. O assédio individual caracteriza-se por submeter o trabalhador a situação humilhante, constrangedora ou mesmo vexatória, através de palavras, atos de desprezo, ou mesmo pela “aplicação do silêncio no diálogo”, levando-o insegurança no emprego. O assédio coletivo normalmente estabelece metas de produção inatingíveis, leva equipes inteiras ao limite do trabalho e gera práticas de competição desumana entre seus membros, enxerga-se o outro como um adversário que precisa ser derrotado, frases fascistas são comuns neste novo cenário “antes ele do que eu”. Frustrado por não conseguir atender às exigências, o trabalhador entra em depressão, fica isolado dos demais, não recebe elogios ou prêmios e ainda tem o seu nome inserido numa lista futura de cortes de pessoal. O que se ganha sob o ponto de vista do trabalhador? A “comparação” pelo preço da PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Trata-se de mecanismo cruel que insere no cálculo os índices relativos aos acidentes, que mais acirram a concorrência e aplica dupla punição ao acidentado: a punição física decorrente do próprio acidente e a punição psicológica, pois, os demais empregados passam a ver naquele, a pessoa que causou um prejuízo financeiro a todos. Por acaso isto não constitui um assédio? Não será uma violência? Necessário se faz a solidariedade, a união e a luta para se atravessar o pântano que insiste em se colocar à frente dos trabalhadores. Nota: artigo elaborado pelos membros da Corrente Eletricitária que trabalham em uma das maiores empresas de distribuição de energia elétrica da América Latina para caracterizar o ambiente de trabalho instalado pela administração neoliberal pós-privatização que completa 10 anos neste mês de abril de 2008. Opinião: a Corrente Eletricitária pondera que este artigo se aplica a todo o processo de administração capitalista, neoliberal e similar; que em todos os locais de trabalho, por esse Brasil e outras nações, são encontrados - às bateladas - trabalhadores doentes devido ao atraso nas práticas administrativas, às carências de instrumentos psicopedagógicos e psicológicos nas gestões empresariais, à maximização cega do lucro a qualquer preço, ao desrespeito ao ser humano, entre outras práticas.
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Jornal Hora da Vez
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Responsabilidade: Lourivaldo Delfino